terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pensar, essa necessidade urgente

Por Gregório Vivanco Lopes ( * )





“A vida sem reflexão não merece ser vivida”. Esta frase de Sócrates não só é famosa, mas muito verdadeira e atual.

De fato, viver sem refletir sobre o mundo, sobre as coisas que nos cercam ou nos acontecem, sobre as pessoas com as quais convivemos, sobre quem somos e para onde vamos, é não viver.

A vida do homem sobre a Terra é essencialmente racional. Se não utilizamos nossa capacidade de análise e discernimento para amar o bem e execrar o mal, admirar o belo e rejeitar o feio, aceitar a verdade e refutar o erro, então somos como “a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo” (Mt t,30) ou como o burro que zurra e nada entende do que está fazendo. Daí o provérbio português: “Zurra o burro, deitem-lhe o cabresto”.

A consequência de tal impostação é que aceitamos sem oposição, e até sem qualquer juízo de valor, as coisas mais irracionais e mais destrutivas de nossa própria natureza.

Aceita-se que agora é normal, e até “chique”, pedir um gafanhoto assado no restaurante ou uma barata ao molho pardo.

Aceita-se que o nudismo seria o modo normal de se apresentar, e vamos caminhando para ele a passos largos, nas modas jovens, nos protestos de rua, sem restrições.

Aceita-se que a compostura no apresentar-se e a urbanidade no trato devem ser substituídos por uma postura dita “mais natural”, como a do chimpanzé na floresta ou do porco revolvendo-se na lama.

Aceita-se que a diferença entre os sexos (homem e mulher) é opcional, fruto de uma determinada posição cultural, e que as pessoas podem escolher seu “gênero” conforme lhes aprouver.

Aceita-se que os índios não devem mais ser beneficiados com as vantagens da civilização, mas sim retroagir aos costumes pagãos de seus antepassados, enquanto nós mesmos vamos nos tribalizando cada vez mais.

Aceita-se que manifestações teatrais, cinematográficas ou televisivas que transudam ódio a Deus e aos santos, não são blasfêmias, mas sim manifestações culturais que devem ser apreciadas enquanto tais.

Aceita-se que todas as religiões, mesmo as que praticam atos de culto satânicos, têm seu lugar no balaio do ecumenismo e da liberdade religiosa.

Aceita-se que o casamento é um fait divers passageiro, que não implica em responsabilidades estáveis, nem mesmo para a educação dos filhos.

* * *

Mas por que aceitamos ser levados sem refletir? Simplesmente porque é mais fácil deixar-se levar do que reagir e lutar. É mais fácil ser um maria-vai-com-as-outras do que ter princípios sólidos.

Pautar a vida por princípios, lutar por eles, ser uma pessoa de fé exige sacrifício. É bem o caso de lembrar aqui os belos versos do poeta brasileiro Francisco Otaviano de Almeida Rosa (1825-1889):





“Quem passou pela vida em branca nuvem,

E em plácido repouso adormeceu;

Quem não sentiu o frio da desgraça,

Quem passou pela vida e não sofreu;

Foi espectro de homem, não foi homem,

Só passou pela vida, não viveu.”


(*) Gregório Vivanco Lopes é advogado e colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)




Fonte: ABIM - Agência Boa Imprensa

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