domingo, 29 de setembro de 2013

Afinal, o que é Idolatria e Fanatismo ?

EDITORIAL DO DOMINGO




No último dia (25/09) em uma atitude louvável o Ministério Público proibiu menores de acamparem numa espécie de fila com uma antecedência de mais de um mês para o show na praça da apoteose. O objetivo é para concorrer a um lugar mais próximo das grades, onde vai se apresentar o cantor canadense Justin Bieber.

De acordo com o MP, o acampamento viola os direitos da criança e do adolescente, por colocar os menores em situação de perigo, em condições de acomodação precárias, e sem estrutura de alimentação e higiene pessoal. Outro fator é que os jovens ainda estariam faltando às aulas e provas.

Além da proibição, os MP-RJ ainda vai expedir recomendação ao Conselho Tutelar para que sejam identificados os responsáveis legais das crianças e adolescentes.

Está atitude dos jovens que de acordo com os psicólogos na adolescência, é natural termos um ídolo. Seja uma banda, um artista ou até mesmo um livro, nesta fase a admiração ou inspiração por algo é traço característico do mundo juvenil. No entanto, essa febre por ídolos não é um fenômeno do momento. Vários fenômenos já passaram a exemplo dos Beatles que até hoje mantém um clube de fãs. A banda britânica da década de 60 é até hoje um dos maiores fenômenos de vendagem de discos.


Mas afinal, o que significa fanatismo?


Segundo o dicionário Aurélio, é o sentimento daquele que segue cegamente uma doutrina ou partido, o termo não está ligado unicamente a doutrinas políticas ou religiosas, pois tudo aquilo que leva o indivíduo ao exagero é considerado como forma de fanatismo.

Em adolescentes, isso faz parte do próprio processo de desenvolvimento da personalidade. “Varia de indivíduo para indivíduo. É um processo bastante singular”. Explica o professor Elder.

O fanatismo pode se manifestar de diferentes formas, em diferentes indivíduos. Na maioria dos casos, ele se revela pela necessidade de pertencer a um grupo, de possuir uma identidade social. “Na realidade, é mais um fenômeno grupal. O adolescente busca, nesta fase da vida, encontrar uma referência exterior à família na qual possa se espelhar”, explica Elder.




No entanto, as relações de fanatismo podem variar. Há aqueles indivíduos que estabelecem uma verdadeira relação de amor com seu ídolo, chegando a imaginá-lo como seu parceiro ou parceira ideal na relação afetiva. Outros, o veem como um ideal a ser seguido, um exemplo de perfeição, e querem tornar-se o próprio ídolo. E ainda há aqueles que colocam seu objeto de admiração num patamar acima de tudo e de todos e considera-se inferior a ele.

Por mais incrível que pareça, há uma explicação neurobiológica para a adoração exagerada. Segundo Marcos Mercadante, professor-adjunto de Psicologia da Universidade Mackenzie, nesse período da vida, o hormônio oxitocina, que reforça o caráter obsessivo, está no pico. "Por isso, tudo é intenso nessa fase: as paixões são arrebatadoras, tanto entre namorados quanto com os ídolos", explica.

Adultos

Mas quando essa idolatria se aplica a adultos? Se este período de admiração é bem característico da própria fase adolescente, pode ser considerado normal? De acordo com Elder, sim. Na fase adulta também é possível vermos fanatismo, mas de forma moderada. “Para as pessoas adultas, também é considerado natural desenvolver uma admiração por algo. No entanto, o fanatismo se dá de uma forma mais amena, mais madura, devido ao próprio processo de amadurecimento pessoal”, explica.

“Quanto mais interação existir entre pais e filhos, quanto mais diálogo e informações sobre o que é importante e sobre os gostos dos adolescentes, mais saudável será a relação familiar. Além disso, é importante empatia e cumplicidade. As ondas passam, outras vêm, mas o essencial em família deve ser fortalecido”, explica a psicóloga Irene.

Onde mora o perigo

Apesar de não se constituir propriamente numa doença, o fanatismo pode servir como forma de manifestação de uma psicopatologia. Isso, logicamente, é um processo individual.

O professor de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe Elder Cerqueira alerta: o fanatismo é positivo, desde que não comprometa negativamente a vida social, privada e familiar do adolescente ou adulto. “Como para tudo na vida, há um limite. Embora não exista um padrão especificado, isto é, um limite estabelecido dizendo onde parar, não é difícil reconhecer quando o adolescente ou adulto está precisando de apoio psicológico”, diz Elder.

A família torna-se elemento fundamental de apoio e reconhecimento do problema.



Radicalismo, intolerância e isolamento são alguns dos sintomas que podem ser identificados nestes indivíduos. No entanto, é preciso paciência e apoio da família para tratar o problema. Não é recomendada a repressão ou a zombaria, afinal de contas, o objeto de admiração adquire para o indivíduo caráter afetivo equivalente a uma relação amorosa.

Num primeiro momento, a família deve buscar o auxílio psicológico. Depois disso, o trabalho de recuperação do indivíduo se dá pelo fortalecimento da autoimagem, levando-o a descobrir que não é necessária a sua inserção em um grupo ou a utilização de violência física para ser aceito ou mesmo definir sua identidade.

Idolatria

Idolatria tem origem nas palavras: Eidolon (imagem) + latreia (culto). A princípio, poderíamos achar que se trata apenas do culto a imagens. Mas ultrapassa isso: repare que, hoje em dia, alguém diz que o cantor tal é seu ídolo. E não está incorreto.

Concluímos que idolatria vai além do amor a imagens pagãs ou não-pagãs, além de se querer atribuir vida e poder a um objeto inanimado. Ídolo é qualquer coisa ou pessoa que colocamos no fundo do coração, em primeiro lugar, depositando nela grande confiança, o que faz dela uma espécie de semideus. Sendo assim, idolatria vai além da dedicação a uma imagem, a um ídolo, a um líder religioso, a um deus, a um “santo”, ao poder e a seres ou coisas concretas ou não, reais ou imaginárias.

Uma pessoa pode ser fanática por amar exageradamente uma pessoa, objeto, time de futebol, um ator, cantor etc., o erro mais comum das pessoas é o de designar fanatismo como sendo algo exclusivamente religioso e político.

Muitas polêmicas surgem acerca desse tema, tendo em vista que pode gerar situações incômodas. Na maioria vezes o fanatismo pode fazer com que uma pessoa cometa atos insanos em nome de um ideal, de um amor, ou algo do gênero.

A idolatria é detestável, assim como adorar, cultuar ou venerar imagens e pessoas vivas ou mortas, sejam santas ou não.

Quem pratica qualquer dessas condutas mencionadas está, quer queira quer não, quer concorde quer não, praticando idolatria e ao mesmo tempo se tornando fanática e cega.

O fanático sofre discriminação por apresentar um exagerado interesse em algo que para muitos é insignificante, ou tem um significado mais comedido. As pessoas devem manter-se alerta, pois o fanatismo não se restringe à classe social, cor ou credulidade, todo mundo está sujeito a esse sentimento, é importante ter consciência de que tudo deve ser moderado, tudo em excesso não faz bem.

É lamentável as cenas que assistimos no dia a dia em todas partes do mundo em relação a idolatria e o fanatismo. Numa demonstração clara de falta de objetivos, onde o desejo de massa é induzido por meios de campanhas midiáticas . Os valores primordiais que conduz a vida em sociedade como amor ao próximo, moral , a ética, são substituídos por estes sentimentos que cegam os demais valores.

Vejamos a moda, os costumes alterados por meio de programas e novelas, mudança de atitude em relação à massificação de uma noticia direcionada, o futebol, a religião, o MMA, etc.

O antidoto contra estes sentimentos é o equilíbrio familiar e a independência do pensamento, o senso critico e a reflexão.

Por Ed Ferreira – Com base em estudos de vários psicólogos entre eles Elder Cerqueira da Universidade Federal de Sergipe.

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