Presidente do PT, reeleito, Falcão aplaude o voto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no PED 2013, em São Paulo
Desde o início da manhã deste domingo, filiados e filiadas do Partido dos Trabalhadores (PT) de todo o país participaram do Processo de Eleições Diretas – o PED 2013. Pesquisas informais de boca-de-urna apontam a vitória tranquila de Rui Falcão à presidência do PT nacional, mas no Rio de Janeiro a disputa não apontava ainda o vencedor entre a deputada Benedita da Silva e o prefeito de Maricá, Washington Quaquá. As votações ocorrem em todo país, onde mais de 800 mil militantes estão aptos a escolher os novos dirigentes zonais, municipais, estaduais e nacional do PT.
Em sua página, no Twitter, a presidenta Dilma Rousseff elogiou o processo direto de escolha dos novos dirigentes políticos da agremiação no poder: “Voto hoje nas eleições internas do PT. Tenho orgulho do PT, um partido nascido das lutas dos trabalhadores e que governa olhando para os mais pobres, os mais fracos, os mais necessitados. Assim foi no governo do presidente Lula. Assim é no meu. A reforma política deve permitir à sociedade participar de forma efetiva dos destinos do país. Defendo uma reforma política decidida por consulta popular, ouvindo a população brasileira”.
Dilma afirmou que a ideia de uma política sem partidos esteve sempre ligada à defesa de governos autoritários e elitistas e voltou a defender uma reforma política por consulta popular. Depois das manifestações que levaram mais de um milhão de pessoas às ruas de várias cidades do país em junho, Dilma sugeriu pactos pela melhoria de serviços públicos, pela rigidez fiscal e por mudanças no sistema político. A presidenta chegou a enviar uma mensagem ao Congresso com uma sugestão de pontos que poderiam ser questionados em um plebiscito para a realização de uma reforma política, mas a proposta não foi adiante.
Para o ministro da Saúde, senador Alexandre Padilha, que votou pela manhã no diretório zonal do Campo Limpo, na capital paulista, “o PED traz duas mudanças fundamentais: em primeiro lugar tem esse sentimento bonito de todo mundo sair às ruas. É o dia do orgulho em ser petista, de poder opinar por meio do voto”.
– As definições que tivemos no Congresso aumentam a participação de mulheres e jovens nas direções do PT e fazem com que o Partido dos Trabalhadores tenha permanente renovação. Além de trazer novas ideias, sem perder o velho coração petista – disse o possível candidato da legenda ao Palácio dos Bandeirantes, no ano que vem.
Reeleito
Presidente do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão estava praticamente reeleito para o cargo, com o aval do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff no Processo de Eleições Diretas (PED) da legenda. Deputado estadual em São Paulo, Falcão terá a missão de liderar o partido e pacificá-lo para a disputa eleitoral de 2014 nos moldes desejados pelos principais nomes da sigla. É dado como certo também que ele será um dos principais comandantes da campanha à reeleição da presidente Dilma. Disputavam a liderança do PT Nacional com Falcão os também deputados federais Paulo Teixeira e Pedro Simões, além dos dirigentes Valter Pomar, Markus Sokol e Serge Goulart.
O resultado final deste PED será decisivo para a formação dos palanques – tanto no plano nacional, quanto nos Estados. Falcão terá que acalmar petistas e partidos aliados na formação das coligações regionais. Será função dele também conter, nas diversas correntes internas, as insatisfações com a presidente Dilma Rousseff. Alas mais radicais enxergam pouco do programa do partido no governo federal. Por causa disso, o ex-presidente Lula espera com a vitória de Falcão isolar estas críticas e unir a maioria do partido no projeto da reeleição de Dilma. Ao diário conservador paulistano Estado de S. Paulo, Falcão disse que o PT não pode agir como se fosse oposição. Ele afirmou ainda que “aspira que o segundo governo da presidente Dilma seja mais realizador e com mudanças mais profundas do que as que já ocorreram até agora nos governos do PT”.
Em debate
No Rio, a disputa seguia acirrada entre Benedita e Quaquá. Os eleitores petistas, no entanto, puderam conhecer o pensamento dos vários candidatos à presidência estadual do partido, no Rio de Janeiro, durante um debate em Niterói, na reta final da campanha. O candidato Rafael Budha não poupou críticas ao modelo eleitoral escolhido para decidir quem ocupará a liderança da legenda. Ele disse que “o PED não garante o debate político; virou, na prática, um recolhimento de boletos bancários”. Já Jorge Florêncio, atual presidente regional e candidato à reeleição, afirmou que “o PED, do jeito que está sendo, esvazia o debate político”. Por sua vez, Washington Quaquá, também candidato, considerou que “estamos americanizando o nosso partido através do PED”. O debate, realizado na Universidade La Salle, em Santa Rosa, atraiu aproximadamente 200 pessoas, contando com as presenças dos seis candidatos à presidência estadual: Benedita da Silva, Jorge Florêncio, Washington Quaquá, Renam Brandão, Rafael Budha e Luiz Cláudio. Além da questão do Processo de Eleição Direta – PED -, o leilão do campo de Libra foi outro assunto bastante focalizado. Veja a segera para garantir a soberania nacional
“Ainda estou impactado ao ver o Exército nas ruas para garantir o leilão do campo de Libra. E eu achava que o Exército era para garantir a soberania nacional. Para mudar a correlação de forças na sociedade, nós devemos ir às ruas para defender os 5 pontos colocados pela presidenta Dilma na pauta nacional de discussão, sobretudo a realização de um plebiscito popular, para garantir uma profunda reforma política. No âmbito do Estado do Rio, já devíamos ter saído do governo Cabral há muito tempo. Cada dia que passa, a gente perde mais voto. A saída tem que ser urgente”.
Quaquá: Quero UPP nas comunidades com uma central de participação popular
“Eu não tenho opinião formada sobre o leilão de Libra. Nós discutimos muito pouco sobre isso entre a gente. No Estado do Rio, acho que precisamos criar uma hegemonia política nas ruas, para nos livrar do PMDB. Precisamos dar prioridade às organizações de base, e não deixar que esses espaços sejam transformados em meros comitês eleitorais. Eu quero a UPP nas comunidades, mas não como uma intervenção militar, e sim como uma central de participação popular, onde a própria comunidade possa falar o que quer, o que acha disso”.
Florêncio: O partido tem crescido na institucionalidade, mas tem se afastado dos movimentos sociais
“O PT tem que ter o protagonismo político na sociedade. É preciso hegemonizar uma cultura socialista e de esquerda. O partido tem crescido na institucionalidade, mas tem se afastado dos movimentos sociais, da intelectualidade, da classe média, da juventude. Internamente, avançamos na comunicação e nas finanças do partido. Recuperamos o nosso fundo partidário. Mas temos que avançar mais. Se o partido não se organizar internamente, não terá como enfrentar os desafios que temos pela frente”.
Benedita: Eu quero presidir o meu partido para que ele tenha a hegemonia na sociedade
“Defendo a renovação do nosso partido e das nossas lideranças. Eu quero presidir o meu partido para que ele tenha a hegemonia na sociedade. Quero ajudar o partido, que é das ruas, que é das comunidades. Sou candidata para fortalecer os setoriais, porque quero reeleger Rui Falcão presidente nacional do partido. O nosso projeto político é dos trabalhadores. Acho que temos também que questionar a nossa militância, e não ficar só cobrando da nossa direção. Sou a única mulher candidata à presidenta do partido no Estado, contra cinco homens”.
Renam: O PT precisa de um novo tempo para aprofundar nossas transformações
“Somente com políticas públicas nós poderemos avançar na sociedade. Se nós não realizarmos reformas estruturais como a agrária, a política e a da mídia, não iremos atender às reivindicações populares. No Estado do Rio, nós temos que interromper de vez o ciclo do chaguismo, que se apropria da coisa pública, que deveria estar à disposição da classe trabalhadora. O PT precisa ter um novo tempo para aprofundar as nossas transformações. Precisamos radicalizar a democracia, ir às comunidades para discutir, por exemplo, a questão das remoções”.
Luiz Cláudio: A gente não quer mais aceitar migalhas; a gente quer o filé mignon
“Estão vindo estatais de outro país para ganhar dinheiro aqui com o nosso petróleo. E por que a Petrobras não faz isso? Eu quero uma Petrobras 100% pública. E aí a gente vai lá reivindicar e a Força Nacional vai lá bater na gente. A gente não pode mais aceitar migalhas; a gente quer o filé mignon. Na Venezuela, com o dinheiro do petróleo, todos têm acesso à educação. Não precisa de sistema de cotas. Isso é uma decisão de governo. Parece até que o PT sumiu das ruas, da vida dos trabalhadores. Sempre indico que leiam e releiam os documentos da época de fundação do PT. Ele nasceu para ser um partido socialista, de esquerda. O PT foi criado para bater em banqueiro, em latifundiário”.
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