Em nota oficial, o ex-diretor da Área de Gás e Energia da Petrobras e hoje diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), Ildo Luís Sauer, repudia a vinculação do seu nome a ações ditas como danosas à companhia e afirma que tomará providências legais para a prevalência da verdade. Ele, que foi diretor de 2003 a setembro de 2007, diz que não cometeu qualquer ilegalidade e que a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) é provisória e cautelar, mas “ilegal e viola direitos fundamentais”. Assevera que tudo será esclarecido pela Justiça, “pois os critérios econômicos demonstram o acerto da aquisição, os critérios jurídicos comprovam que a aquisição se pautou dentro de todos os critérios exigidos pela legislação”.
No dia 23 último, o tribunal aprovou o relatório do ministro José Jorge, relator do processo que investiga irregularidades na compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), pela Petrobras. Ele determinou a devolução de US$ 792,3 milhões aos cofres da empresa pelos prejuízos causados ao patrimônio da empresa, sendo que montante de US$ 580,4 milhões, deverá ser devolvido por membros da diretoria executiva da Petrobras, que aprovaram a ata de compra da refinaria, entre eles, além de Sauer, o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli, Nestor Cerveró, Almir Barbassa, Paulo Roberto Costa, Guilherme Estrella, Renato Duque e Luís Carlos Moreira da Silva.
O ex-diretor destaca que “causa perplexidade que mais de sete anos após meu afastamento da Petrobras esta decisão do TCU seja tomada e divulgada sem que eu tenha sido notificado ou sido ouvido”. Ele explica que a decisão de internacionalização da Petrobras foi adotada como contrapartida à mudança da estrutura de organização empresarial e da política energética no Brasil, quando o mercado interno de petróleo foi aberto à competição internacional, com a quebra do monopólio exercido pela Petrobras, em todas as etapas, no Governo FHC. “A partir 2003 o plano estratégico manteve internacionalização e aquisição da refinaria de Pasadena situa-se neste contexto.”
Pedras no caminho
Todavia, observa Sauer, os efeitos posteriores à aquisição, como a redução das margens de refino no contexto de crise mundial de 2008-10, a não manutenção da autossuficiência de petróleo no Brasil, a crise do etanol atrelada à defasagem entre o preço ex-refinaria de derivados e seu preço competitivo, o aumento da demanda interna de derivados também associada à defasagem, e emergência do shale oil & gas nos EUA, assim como o anúncio da descoberta do pré-sal, fatores que alteraram o ambiente de negócios, não estavam no horizonte por ocasião do processo decisório de aquisição da participação na refinaria.
E finaliza sobre a decisão da aquisição da refinaria estadunidense: “A decisão sobre a aquisição, em fevereiro de 2006, foi a única do qual participei como membro da Diretoria Executiva, e que mantenho como coerente e a única possível na ocasião com base nos elementos disponíveis.”
Fonte: Portogente

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