Por Paulo Di Vicenzi
Estrategista eleitoral, diretor da ABCOP - Associação Brasileira de Consultores Políticos e da Escola Superior Eleitoral.
A grande maioria dos pretendentes a cargos eletivos confundem marketing com propaganda. Acham que fazer campanha eleitoral é a mesma coisa que fazer publicidade de um determinado produto. Basta colocar um caro de som com um slogan, pichar muros e distribuir santinhos. Ledo engano!
Tradicionalmente no marketing comercial, os produtos são mais fáceis de serem vendidos. Todos nós temos a necessidade de consumir uma série de produtos de todos os gêneros. O consumidor se dar o trabalho de escolher a marca do que deseja.
No marketing eleitoral a história é outra. É o produto (candidato) que tem que convencer o consumidor (eleitor) ao consumo, ao ato de comprar (votar).
Essa analogia produto/candidato refere-se ao esforço pelo convencimento que cada um faz no mercado para ser o preferido, o escolhido pelo consumidor/eleitor. Em termos de concorrência, o processo é quase igual: cada produto e cada candidato tem suas estratégias (ou falta delas), ressaltando seus pontos fortes e minimizando os fracos.
Entender essa diferença é fundamental em qualquer planejamento estratégico de campanha eleitoral por dois motivos: 1) a maioria das pessoas (mais de 70%) não tem interesse algum por política, e 2) o produto oferecido (político) tem elevada carga pejorativa no conceito popular.
Estratégia Eleitoral
O primeiro passo para planejar qualquer campanha eleitoral é fazer um bom diagnóstico político. E ele deve ser orientado por alguém com sólida experiência no assunto. Diagnóstico feito por amadores pode destruir uma campanha.
Um bom diagnóstico político começa pela compreensão dos sentimentos e percepções dos eleitores comuns, e não pela satisfação de interesses pessoais ou negociações partidárias.
O bom diagnóstico preza pelas informações extremamente confiáveis, isentas e sem distorções ou romantismos. Nesse tipo de trabalho não há lugar para amadores. Todo mundo sabe, política é especialidade dos bons políticos, que são hábeis em negociações. Porém, campanha eleitoral é especialidade dos bons estrategistas, que são hábeis em competição pela preferência dos eleitores.
Os Cinco C´s da Conquista do Voto
O modelo de diagnóstico político, elaborado pelo consultor e estrategista eleitoral Paulo Di Vicenzi, contempla as cinco dimensões mais relevantes nos processos de análise e planejamento de uma candidatura. Esse modelo de análise se aplica tanto a competições majoritárias quanto proporcionais, em qualquer nível.
Batizado pelo autor como “Cinco C´s da Conquista do Voto”, o modelo propõe investigar e desenvolver estratégias com base no conhecimento de cinco fatores:
· Cidadão Eleitor
· Candidato
· Chefe de Governo
· Concorrentes
· Cenário

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