Por Sergio Guerra
A Beija Flor foi julgada e condenada sumariamente pela imprensa por ter aceito o apoio do Presidente Theodore Obiang para ter como tema e enredo do carnaval de 2015 a Guiné Equatorial.
Não quero aqui fazer julgamento mas penso que esqueceram de tratar todos os lados da questão. Todas as matérias que li e assisti tratavam esse pequeno país desconhecido apenas pelo traço do autoritarismo do seu Presidente e pelos contrastes da sociedade guinense, com os constrangimentos que a população é submetida.
Tratou-se a escola como uma lavadora de dinheiro sujo, tratou-se a escola como uma banca de negócios.
O que faltou dizer foi que qualquer país poderia ter essa iniciativa.
*Faltou dizer que a Guiné Equatorial no ultimo ano entrou para a Comunidade dos Países de Lingua Portuguesa com aprovação de quase todos os países membros.
*Faltou dizer que a Guiné Equatorial apesar de ter como línguas mais faladas o espanhol e a francesa adotou a língua portuguesa também como língua oficial do país.
*Faltou dizer que ainda em Janeiro o país sediou pela segunda vez o Campeonato Africano de Futebol com a participação dos 24 países classificados.
*Faltou dizer que o investimento para se tornar conhecida no Brasil e no mundo é legitimo para qualquer país que queira expandir o comércio e a cooperação internacional.
*Faltou dizer que o investimento, mesmo que tenha sido 3,5milhões de dólares, é um investimento modesto para a exposição que as escolas de samba tem, bastante inferior ao que a Schincariol fez apenas em Salvador.
*Faltou dizer que ha muito tempo as escolas de samba já nao conseguem se bancar simplesmente com o dinheiro dos bicheiros e que tem cada vez mais recorrido a patrocínios como a Unidos da Tijuca recebeu do Governo Suiço no ano de 2014.
*Faltou dizer que o imaginário africano sempre foi motivo de grande sedução por parte das escolas.
Que se condene o Presidente Obiang por decidir investir na imagem do país quando deveriam ter prioridades muito mais nobres e urgentes como a fome a educação do seu povo eu concordo, mas condenar a Beija Flor por ter aceito apoio para fazer o que está vocacionada me parece injusto. Para condenarmos a escola teríamos que condenar também muitas ações desenvolvidas no nosso dia a dia.
Não podemos esquecer que o Brasil ainda tem 10,5 milhões de miseráveis e qual seria o impacto para essas pessoas se revertêssemos apenas o dinheiro gasto em publicidade pelo governo(2,3 bilhões de reais em 2013), para uma politica que devolvesse a dignidade a esses brasileiros? Nem por isso saímos a atacar as empresas publicas por financiarem o carnaval em nosso país.
Esse é só um exemplo das distorções e contradições que as sociedades modernas estão mergulhadas e que já não se questionam. Então porque condenar uma escola que aceita uma colaboração de um país integrante das Nações Unidas, com relações comerciais estabelecidas com os EUA, Brasil e outros tantos países democráticos, para tratar da sua historia, do seu imaginário, para viabilizar o espetáculo da sua gente?
Sérgio Guerra
Sérgio Guerra

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