A defesa é que, mesmo diante da crise, o governo continue apostando nos investimentos
Apesar dos grandes projetos planejados para melhorar a infraestrutura e a industrialização no interior da Bahia, alguns antigos gargalos e a crise econômica que atinge o país com corte de recursos atrapalham a perspectiva de desenvolvimento no estado. Essa é a análise do presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), o economista Gustavo Pessoti, que entregou essa semana um documento ao vice-governador e secretário de Planejamento do Estado, João Leão (PP). O material intitulado de ‘A economia baiana em análise retrospectiva e perspectiva’, contém a visão de vários economistas baianos sobre o setor no estado. Pessoti destacou as perspectivas até o ano de 2020.
O estudioso apontava tendências positivas, porém diante da crise que paralisou obras de impacto no estado, como a da Enseada do Paraguaçu, a Ferrovia Oeste Leste (Fiol) e o Porto Sul, a sua avaliação mudou. Segundo Pessoti, a expectativa era de desconcentração das atividades no estado, com fortalecimento de algumas regiões do interior, a exemplo do Recôncavo Baiano, com a implantação do estaleiro. “Havia uma perspectiva muito alvissareira, com mais investimentos, como o polo naval, que infelizmente passou por um revés, mas não deixou de ser uma política nova para fortalecer o recôncavo. Não prevíamos que haveria essa crise com a necessidade desse ajuste fiscal”, argumentou.
O economista destaca que a iniciativa a partir do governo Jaques Wagner de idealizar a descentralização ajudaria a crescer e dar autonomia a algumas regiões. Ele defende que o estado continue apostando nos investimentos. “Se viajarmos até os anos 70 e 80 podemos ver que se defendia a ideia de cidades polos, de que algumas cidades do interior poderiam exercer efeito polarizador, mas nunca se investiu nesse propósito. Vitória da Conquista, por exemplo, exerce um efeito importantíssimo para a região sudoeste. Se conseguíssemos a integração de Vitoria da Conquista, Ilhéus e Itabuna, com a ferrovia, potencializando esses eixos estruturantes, poderíamos desenvolver mais o estado”, afirmou.
Porém, o dirigente da entidade de economistas reconhece os desafios. Segundo ele, a crise da economia amplia os gargalos existentes no estado para o desenvolvimento. “Um deles é a infraestrutura. É preciso urgentemente viabilizar a integração regional, com parques logísticos, centros de distribuição, integração de transportes intermodais, transporte rodoviário, ferroviário, hidroviário e a própria questão dos aeroportos, ou seja, é necessário um reaparelhamento da infraestrutura de produção”. O segundo problema seria a falta de investimento nos parques tecnológicos. “Ou a gente se adapta a esse conceito de tecnologia ou vamos ficar remando contra a maré. Na Bahia existem universidades fortíssimas, portanto a ideia é integrar os centros universitários ao parque tecnológico”, citou. Outra questão a ser vencida seria a qualificação da mão de obra. “Precisamos permanentemente pensar que a produtividade da indústria está necessariamente atrelada à melhor qualificação da mão de obra”, frisou.
O cenário da economia traz consequências diretas para a Bahia, conforme destaca. “Preocupa totalmente a economia do estado, pois há um contingenciamento de recursos federais. Temos uma economia brasileira que cresce menos e ao crescer menos arrecada menos tributos”, disse. Ele ainda frisou a dependência que a Bahia e outros estados têm dos repasses federais. “Isso tudo é obvio que vai significar um rebatimento regional forte para todo o Brasil. Não só para a Bahia, mas haverá um menor repasse, sobretudo do FPE, o que vai impactar na política de planejamento do governo do estado”, enfatizou.
A forma de enfrentamento da situação pelo governo do estado foi ressaltada pelo economista. “Você tem uma administração pública local que está tendo cautela, por exemplo, dando um reajuste de 6,4% do projeto de lei do aumento do salário dos servidores estaduais, sem a inflação do período. Estão atentos à questão dos limites prudenciais e à lei de responsabilidade fiscal, e isso faz com que a Bahia tenha uma relativa autonomia em comparação com outras localidades, evitando, por exemplo, até agora os atrasos”.
Apesar dos grandes projetos planejados para melhorar a infraestrutura e a industrialização no interior da Bahia, alguns antigos gargalos e a crise econômica que atinge o país com corte de recursos atrapalham a perspectiva de desenvolvimento no estado. Essa é a análise do presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), o economista Gustavo Pessoti, que entregou essa semana um documento ao vice-governador e secretário de Planejamento do Estado, João Leão (PP). O material intitulado de ‘A economia baiana em análise retrospectiva e perspectiva’, contém a visão de vários economistas baianos sobre o setor no estado. Pessoti destacou as perspectivas até o ano de 2020.
O estudioso apontava tendências positivas, porém diante da crise que paralisou obras de impacto no estado, como a da Enseada do Paraguaçu, a Ferrovia Oeste Leste (Fiol) e o Porto Sul, a sua avaliação mudou. Segundo Pessoti, a expectativa era de desconcentração das atividades no estado, com fortalecimento de algumas regiões do interior, a exemplo do Recôncavo Baiano, com a implantação do estaleiro. “Havia uma perspectiva muito alvissareira, com mais investimentos, como o polo naval, que infelizmente passou por um revés, mas não deixou de ser uma política nova para fortalecer o recôncavo. Não prevíamos que haveria essa crise com a necessidade desse ajuste fiscal”, argumentou.
O economista destaca que a iniciativa a partir do governo Jaques Wagner de idealizar a descentralização ajudaria a crescer e dar autonomia a algumas regiões. Ele defende que o estado continue apostando nos investimentos. “Se viajarmos até os anos 70 e 80 podemos ver que se defendia a ideia de cidades polos, de que algumas cidades do interior poderiam exercer efeito polarizador, mas nunca se investiu nesse propósito. Vitória da Conquista, por exemplo, exerce um efeito importantíssimo para a região sudoeste. Se conseguíssemos a integração de Vitoria da Conquista, Ilhéus e Itabuna, com a ferrovia, potencializando esses eixos estruturantes, poderíamos desenvolver mais o estado”, afirmou.
Porém, o dirigente da entidade de economistas reconhece os desafios. Segundo ele, a crise da economia amplia os gargalos existentes no estado para o desenvolvimento. “Um deles é a infraestrutura. É preciso urgentemente viabilizar a integração regional, com parques logísticos, centros de distribuição, integração de transportes intermodais, transporte rodoviário, ferroviário, hidroviário e a própria questão dos aeroportos, ou seja, é necessário um reaparelhamento da infraestrutura de produção”. O segundo problema seria a falta de investimento nos parques tecnológicos. “Ou a gente se adapta a esse conceito de tecnologia ou vamos ficar remando contra a maré. Na Bahia existem universidades fortíssimas, portanto a ideia é integrar os centros universitários ao parque tecnológico”, citou. Outra questão a ser vencida seria a qualificação da mão de obra. “Precisamos permanentemente pensar que a produtividade da indústria está necessariamente atrelada à melhor qualificação da mão de obra”, frisou.
O cenário da economia traz consequências diretas para a Bahia, conforme destaca. “Preocupa totalmente a economia do estado, pois há um contingenciamento de recursos federais. Temos uma economia brasileira que cresce menos e ao crescer menos arrecada menos tributos”, disse. Ele ainda frisou a dependência que a Bahia e outros estados têm dos repasses federais. “Isso tudo é obvio que vai significar um rebatimento regional forte para todo o Brasil. Não só para a Bahia, mas haverá um menor repasse, sobretudo do FPE, o que vai impactar na política de planejamento do governo do estado”, enfatizou.
A forma de enfrentamento da situação pelo governo do estado foi ressaltada pelo economista. “Você tem uma administração pública local que está tendo cautela, por exemplo, dando um reajuste de 6,4% do projeto de lei do aumento do salário dos servidores estaduais, sem a inflação do período. Estão atentos à questão dos limites prudenciais e à lei de responsabilidade fiscal, e isso faz com que a Bahia tenha uma relativa autonomia em comparação com outras localidades, evitando, por exemplo, até agora os atrasos”.
Por Lilian Machado

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