quinta-feira, 7 de maio de 2015

AS CIGARRAS CANTADEIRAS DO LEGISLATIVO ILHEENSE

Por Aldircemiro Ferreira Duarte da luz “mirinho”



A fábula nos conta que a cigarra cantou e tocou violão durante o verão inteiro, enquanto a formiga trabalhava duramente se preparando para enfrentar o inverno, estocando alimentos. Quando o inverno chegou, a formiga bem aconchegada, tranquila, no conforto do seu lar, foi surpreendida pela cigarra batendo à sua porta com sede, com fome e com frio, pedindo abrigo e guarida para atravessar aquela estação frienta. A formiga acostumada a dar duro para sobreviver, vacinada contra as artimanhas da preguiça, não se apiedou com o pedido malandro da falsa mendiga cigarra e, trancando a porta da sua casa, se recolheu ao seu merecido repouso.


Moral da História: “No mundo animal, quem não trabalha, não come”.


Mas, na política dos humanos, a moral da história não coincide com a da fábula, porque é na política onde quem menos trabalha é quem mais ganha e o Legislativo ilheense é o retrato fiel dessa inversão de valores, onde um conjunto de cigarras cantadeiras canta sob a batuta do maestro executivo, no tom que ele determina e com a afinação que lhe seja aprazível aos ouvidos, entoando a única música do seu domínio: “ a canção para destruir Ilhéus”.

O verão das cigarras cantadeiras do legislativo ilheense dura 04(quatro) anos e elas chamam de mandato, que não é delas e nem do povo é do maestro executivo. Nesse período elas exercem funções especificamente determinadas: omissão, aumentar tributos, aprovar leis de interesse do maestro, atropelar projetos, esvaziar o plenário e votar contra ou abster-se de votar quando já assegurada a maioria contrária aos interesses do município, dentre outras.

Ora, se a força dos versículos bíblicos lidos antes do inicio das sessões não tem sido suficiente para reverter o canto das cigarras, sugere-se que a galeria dos retratos somente dos vereadores da época que não eram remunerados, seja transferida para o plenário, para servir de terapia de choque e exemplo de modelo de ética, de virtude, de coragem e de responsabilidade na defesa do interesse da comunidade, às atuais cigarras vereadoras.

Mas, separando o joio do trigo, ainda bem que o legislativo também dispõe do seu grupo de “formigas” que contrapõe às cigarras e se destacam pelo trabalho competente que vem realizando, porém, constitui a minoria e não passa de cinco, dentre as quais, algumas precisam se posicionar com mais clareza e intensidade nas suas ações, porque só não se confundem com as “cigarras”, porque, não têm um maestro executivo como mestre condutor.

Importante lembrar que em uma das legislaturas pretéritas a comunidade frequentava as sessões da Câmara Municipal de Ilhéus, somente para se divertir, tamanha eram as baboseiras ditas e repetidas nos mais variados discursos daqueles edis e o pensamento era um só: já que não fazem nada, nem trabalham pelo menos nos divertem. Tô pagandooooo!

Entretanto, na atual legislatura além da subserviência de muitos, o município estira a mão à caridade, a população empobrece e as “cigarras” insistem em cantar a “canção para destruir Ilhéus”, de autoria do seu maestro e não se mobilizam, não apresentam saídas para os problemas que se acumulam e se avolumam, diante de uma decisão a ser tomada, confessam-se subalternas, porque é o maestro executivo quem determina se devem ou não votar, ou se devem esvaziar ou não o plenário, dentre outras “armações”. Isso é cruel. Mas, se for feita uma pesquisa com base na autoavaliação, com certeza, no legislativo de Ilhéus só tem “formigas”, ninguém é “cigarra”.

Defendemos um salário digno e compensador para todo aquele que trabalha e desempenha o seu papel com zelo, coragem e denodo. Esse não é o caso das “cigarras jabeletes” que de maneira injusta, têm os mesmos subsídios das “formigas” do legislativo ilheense. Aliás, se avaliarmos atuação, produtividade, jornada de trabalho, etc., as cigarras se destacam numa surpreendente posição de inferioridade em relação a qualquer classe de trabalhadores, no entanto, esse destaque se desloca para o topo, quando se trata de remuneração.

Em Ilhéus o Professor não padece somente com a questão remuneratória, também com o problema da falta de condições para exercer com dignidade a sua Missão de Educar. Mas, quem trabalha mais, quem ganha mais: o Professor ou um Vereador Cigarra? Qual dos dois tem um papel de maior relevância na sociedade e para a sociedade? Esse questionamento comparativo não é válido para quem realmente trabalha independente do cargo, função e da profissão exercitada.

A “canção para destruir Ilhéus” é entoada em DÓ Maior, porque dá “Dó” ver Ilhéus seguir de “Ré”, a cada “Sol” de verão(mandato das cigarras), “Si” indo cada vez mais para “Lá” das profundezas do caos. Ainda bem que “Mi” não é tom cabido para essa canção. “U’Fá”!

A antiga fábula da “cigarra e da formiga” nos induziu ao cometimento de um crime contra o Meio Ambiente ao compararmos a pobre cigarra com o vereador que não trabalha, no entanto a nossa análise comparativa atinge o seu objetivo quando nos deparamos com a realidade nua e crua de que falta às cigarras jabeletes” a criatividade, a independência, a coragem para trabalhar e, sobretudo, o TALENTO, e que constituindo a maioria, justifica e explica porque o legislativo ilheense “TÁ LENTO”.

As eleições são o inverno das “cigarras”, por isso, quando o inverno chegar com certeza baterão às nossas portas com frio, com sede e com fome de votos, nos pedindo guarida e abrigo no legislativo por mais um verão de quatro anos, para não fazer nada. Aí será a oportunidade de mostrarmos ou não o que o adágio popular nos traduz: “cada povo tem o governo que merece”.

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