segunda-feira, 15 de junho de 2015

A Bahia merece mais

Editorial do Correio da Bahia


O pacote de infraestrutura e logística anunciado pelo governo federal frustrou todo o setor produtivo da Bahia, estado responsável por 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Apesar de ter 6,6% do território nacional e 7,4% da população do país, o maior estado do Nordeste ficou com menos de 3% dos investimentos previstos com a privatização das operações de aeroportos, portos, ferrovias e rodovias.

Essa falta de prioridade para a Bahia, apesar da importância do estado, não é nova. Seu exemplo mais eloquente é a situação da BR-101, estrada de cinco mil quilômetros, que liga a cidade de Touros, no Rio Grande do Norte, a São José do Norte, no Rio Grande do Sul. O trecho baiano, de quase 800 quilômetros, entre Feira de Santana e Mucuri, no Extremo Sul da Bahia, é o único que ainda não está duplicado ou em processo de duplicação.

O setor produtivo da Bahia esperava que esse absurdo fosse reparado no Plano de Investimento em Logística 2015-2018, anunciado pela presidente Dilma, mas apenas 199 quilômetros da rodovia, entre Feira de Santana e o município de Gandu, vão ser entregues à iniciativa privada nesse período. Os quase 600 quilômetros até o Extremo Sul do estado vão continuar sem duplicação, com pistas cheias de problemas no asfalto e na sinalização. É gritante a diferença sentida pelos motoristas ao cruzar as divisas do Espírito Santo ou de Sergipe, estados onde a BR-101, já sob concessão privada, está duplicada e em condições muito melhores.

As próprias lideranças políticas baianas do partido da presidente criticaram a pouca atenção dada ao estado. O ex-governador Jaques Wagner, hoje ministro da Defesa, reclamou da ausência da Ferrovia Oeste-Leste no plano de logística. O governador Rui Costa lamentou que o projeto do governo federal só tenha previsto a concessão de apenas um terminal, do Porto de Aratu, argumentando que a parceria com a iniciativa privada deveria ser estendida para toda a área do porto. O Porto Sul, outro projeto importante para o desenvolvimento do estado, também foi ignorado pelo plano federal. A única notícia realmente boa foi a previsão de concessão, já em 2016, do Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães.

Na última década, a Bahia vem sofrendo com a falta de investimentos federais em infraestrutura, fundamentais para o desenvolvimento mais acelerado do estado. O plano apresentado pela presidente ainda é tímido em relação ao que o país precisa, apesar de ter o mérito de buscar o investimento privado para a retomada do crescimento. É ainda mais lamentável, portanto, que, em um momento como esse, o plano não tenha levado em conta a importância econômica, territorial e populacional do estado. A Bahia merece muito mais.

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