sábado, 11 de julho de 2015

Ministro anuncia na Bahia corte de verba para Fiol



Ministro disse que Fiol não foi considerada prioritária pelo governo federal

O seminário organizado, nesta sexta-feira, 10, por três importantes entidades empresariais do estado, a Federação da Indústria da Bahia (Fieb), a Federação da Agricultura (Faeb) e a Federação do Comércio (Fecomércio), para debater o Programa de Investimento e Logística (PIL 2) quase se transforma num pesadelo para o ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues.

Em sua fala inicial, no auditório da Fieb, no Stiep, o ministro resolveu ser "sincero" e desagradou à plateia. Disse que a principal obra federal de infraestrutura em curso na Bahia, fundamental para o desenvolvimento do estado, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), planejada para ligar o oeste até o litoral de Ilhéus, não entrou no PIL 2, ou seja, não foi considerada prioritária pelo governo federal, que preferiu aplicar um grande volume de recursos na Ferrovia Norte Sul (entre Pará e Rio Grande do Sul).

Para uma plateia de empresários reunidos no auditório da Fieb, o ministro chamou o superintendente de planejamento da Valec (empresa estatal responsável pela obra), Paulo Roberto Bastos Fialho, para dar detalhes sobre como o projeto foi refeito "em função das restrições financeiras", impostas pelo contingenciamento de R$ 69,9 bilhões promovido pela presidente Dilma Rousseff.

Fialho disse que foram destinados apenas R$ 190 milhões até agosto para que a obra não fosse paralisada, recursos que serão usados para completar o que foi iniciado e preservar os trechos concluídos.

"Se em setembro a arrecadação de impostos aumentar, vamos aportar mais recursos na Fiol e esperamos em 2016 retomar o ritmo normal", complementou o ministro, ressaltando ante o burburinho dos empresários, "não viemos aqui esconder nada, todos sabem da nossa situação, mas tudo passa", disse lembrando que ele teme a conclusão da ferrovia sem que o complexo do Porto Sul tenha sido construído.

Iniciada em 2010, a previsão inicial era concluir a Fiol em 2013. O novo prazo dado pelo ministro é meados de 2018. A Fiol está orçada em R$ 6 bilhões.

Queixas

A partir das informações sobre a ferrovia começou o bombardeio contra o convidado. O presidente da Fecomércio, Carlos Andrade, foi o primeiro a manifestar sua "grande preocupação" com a situação da Fiol.

Em seguida, João Martins, presidente da Faeb, reclamou que o país não tem uma logística à altura da agropecuária brasileira. Presente na mesa dos trabalhos junto com os deputados João Bacelar e José Rocha (ambos do PR, partido que indicou o ministro dos Transportes), o deputado Daniel Almeida (PCdoB) condenou os cortes na Fiol destacando a importância da obra para o desenvolvimento do estado.

Clima quente
O clima esquentou quando a palavra foi franqueada aos empresários para fazerem perguntas ao ministro. O 1º-vice-presidente da Fieb, Reginaldo Rossi, subiu o tom: "Claro que a Bahia não aceita a paralisação da Fiol. Mais uma vez o estado é prejudicado. Esperava que a Fiol fosse prioridade do governo federal. Na hora das dificuldades a gente sempre é chamado para dividir o prejuízo".

O ministro se irritou. Disse que não era irresponsável para continuar tocando a obra no ritmo que estava e repetiu: "A Fiol não está parada e não vai parar".

Nesse momento Ricardo Alban, presidente da Fieb, que coordenava o seminário, pediu calma e elogiou o ministro, que se dispôs a discutir o tema em Salvador.

Fonte: A tarde

Nenhum comentário:

Postar um comentário