No recente estudo “Investimentos Energéticos e Transferência de Tecnologia Entre Economias Emergentes: O Caso de Brasil e da China”, Joerg Husar e Dennis Best defendem que a transferência de tecnologia e cooperação entre as duas potências é substancial e que os investimentos estão a aumentar, mas que ainda estão aquém do seu potencial.
“A mais longo prazo, existe potencial para esta relação evoluir para uma parceria tecnológica bilateral significativa, especialmente nos sectores de eólicas e transmissão, onde é possível esperar que os interesses comerciais continuem a conduzir a cooperação”, referem.
A intensificação destes laços, adiantam, “pode resultar numa mais rápida instalação de energias renováveis em economias emergentes”, com efeitos positivos ao nível do combate às alterações climáticas.
Um diretor do Centro China-Brasil para as Alterações Climáticas e Tecnologias Inovadoras de Energia referiu aos autores que algumas das entidades parceiras desta aliança já pretendem expandir as suas atividades à África do Sul e à Índia, além dos respectivos países.
“Contudo, os esforços sino-brasileiros para transferência de tecnologia estão ainda numa fase inicial de identificação de capacidades, parceiros de projetos adequados e remoção de barreiras”, nomeadamente a nível regulador e comercial.
Os dois países prosseguem estratégias de fomento do desenvolvimento industrial no sector energético, tentando assegurar que o investimento estrangeiro se alinhe com os objetivos de políticas mais vastos.
Segundo os autores, existe “considerável potencial” na área da transmissão, aplicando a tecnologia de redes inteligentes e tecnologia UHV no Brasil e ainda usando os conhecimentos brasileiros na variabilidade de energias renováveis (hídrica) em território chinês.
Na área das eólicas, a transferência de tecnologia limita-se hoje à importação de turbinas da China, mas o “interesse mútuo é claro”.
“O Brasil gostaria de adquirir equipamento de baixo custo, altamente eficiente da China – ou que este fosse construído no Brasil – para fomentar o seu sector eólico em expansão, enquanto a China pode acrescentar à sua vantagem comparativa servindo este mercado através de pesquisa conjunta, adaptação de componentes chineses a condições locais específicas”, adiantam.
Na área do petróleo e gás a relação está mais atrasada, mas a médio prazo o interesse da Petrobras, petrolífera estatal brasileira, em aumentar a sua capacidade de refinação, pode “criar o potencial para uma relação mutuamente benéfica entre os dois".
Informações da (macauhub)
Nenhum comentário:
Postar um comentário