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quarta-feira, 1 de maio de 2013


“O OUTRO LADO DO ESPELHO”




Inconformados com os altos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff, que nas atuais pesquisas lhe garantem a reeleição já no primeiro turno, setores da sociedade que se sentiram prejudicados com a queda de juros e tarifas, especuladores e rentistas, e todos os donos da grande mídia, aquela gente que não se conforma com medidas que visam a beneficiar a população de baixa renda, resolveram investir em outros campos, já que o cenário eleitoral não lhes dá muitas esperanças de voltarem ao poder tão cedo.
Alguma coisa está fora de ordem e de lugar quando assistimos à 'judicialização' da política e à politização do judiciário, e os grandes protagonistas da cena brasileira se tornam o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que agora têm uma opinião formada sobre tudo e dão seus pitacos definitivos sobre qualquer assunto, mesmo quando não são chamados.
Eles se consideram os últimos catões da República, os únicos e os últimos honestos num país em que ninguém mais presta, só eles. Estão sempre de cara amarrada, não se permitem um sorriso. São as próprias expressões do fim do mundo.
Gurgel já decidiu que a nova distribuição dos royalties do petróleo só deverá valer a partir de 2016;  Barbosa comenta a indicação do polêmico deputado pastor Marco Feliciano para uma comissão da Câmara, como se tivesse alguma coisa a ver  com isso,  e ambos se dedicam com afinco para colocar logo na cadeia os condenados da Ação Penal 470, recusando sumariamente qualquer recurso dos advogados de defesa.
Citado pelo ex-ministro José Dirceu numa história no mínimo muito mal contada, no episódio da sua indicação para o STF, o ministro Luiz Fux manda um assessor  responder que não vai polemizar com réus condenados. Na mesma semana, o procurador-geral Gurgel determina ao Ministério Público e à Polícia Federal investigações sobre o ex-presidente Lula, a partir de declarações feitas por Marcos Valério, após o réu ser condenado a mais de 40 anos de prisão. Princípios e valores variam conforme os interesses de ocasião. E tudo parece muito natural para a nossa imprensa.
No mesmo momento em que Barbosa denuncia o "conluio" entre advogados e magistrados, o escritório de Sergio Bermudes, um dos mais caros do país, anuncia o patrocínio de uma festa de arromba para mais de 300 pessoas em seu apartamento de 800 metros quadrados, no Rio de Janeiro, para comemorar o aniversário de 60 anos do mesmo ministro Luiz Fux, cuja filha Marianna, candidata a uma vaga no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, trabalha com o anfitrião. A pedido da mãe do homenageado, diante da repercussão negativa do badalado regabofe, a festa foi cancelada, segundo os jornais deste sábado. Menos mal.


Mas não faltarão, certamente, outras festas do gênero, por mais que isso irrite ou agrade Barbosa, recentemente homenageado no Copacabana Palace pelos mesmos donos da mídia que publicam artigos de Marianna Fux e louvam seu pai, para congregar os comensais dos dois lados do balcão da Casa Grande, que podem perder as eleições e a vergonha, mas nunca perdem a pose nem o poder. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Este é o mundo deles, com ou sem perucas, e o resto que se dane, como costumam dizer, desde os tempos dos bailes da Ilha Fiscal.

No Brasil é  anunciado  todos os dias um fim do mundo, está onipresente no noticiário nacional, como se houvessem estabelecido uma programação prévia para não deixar o brasileiro respirar sossegado dois dias seguidos.
Mal se termina de falar de uma crise e já aparece outra nas manchetes, sem que tenha dado tempo da anterior terminar.
As notícias alarmistas sobre os iminentes riscos de apagão de energia em razão da falta de chuvas nos reservatórios, ao mesmo tempo em que as enchentes em outros pontos do país provocavam novas tragédias, os ambientalistas prevendo impactos gigantescos. Imagens de reservatórios com pouca água e morros despencando eram acompanhadas de análises dos "especialistas" de sempre para quem o país, com este governo, não tem nenhum futuro, seja por falta ou excesso de chuvas.
Não tivemos tempo de comemorar o recorde da safra de grãos, e já começaram as séries de reportagens sobre o colapso na infraestrutura, falta de ferrovias, com estradas intransitáveis e congestionamentos nos portos.
E assim inicia-se o ano de 2013 de agonia em agonia, até que  surgiu a grande crise do preço do tomate, a maior de todas, porque esta pode explodir ao mesmo tempo a inflação e os juros, levando o País à ruína completa. Em apenas três meses, ficamos novamente à beira do abismo.
Quem não sabe que todos estes problemas existem?  É claro, e alguns são bastante sérios, porem o  clima de catastrofismo, porém, vai além da realidade dos fatos e tem como pano de fundo a sucessão presidencial de 2014, ativada pela antecipação da campanha e pela ausência de candidatos competitivos para enfrentar a candidata do governo.
*Texto original da coluna do Ricardo Kostcho e adaptado pelo fotossíntese.blog.br

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Denúncia: Aécio paga o PIG




Não é de hoje que vemos denúncias de que a grande mídia é financiada pelo PSDB. E pelo grande Capital, não resta dúvida! Milhões investidos em compra de revistas como a Veja pelo governo e prefeitura de São Paulo nas épocas tucanas, por exemplo. Em Minas não é diferente e esta espécie de censura paga, da mídia, já rendeu até documentário. Não custa lembrar que no episódio do chamado mensalão, inclusive, sem tanto alarde, uma parte enorme do dinheiro distribuído por Marcos Valério foi para a Globo. E a mídia ‘pula’ este assunto convenientemente.

Retornando ao mensalão, as origens das falcatruas atribuídas exclusivamente ao PT – caixa dois eleitoral e tudo o mais – estão lá no governo Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas. Estranhamente nossa Justiça preferiu deixar esta promissora parte de lado, pelo menos por enquanto. Embora haja pedido nas mãos de Joaquim Barbosa para a prisão preventiva de Azeredo neste momento. Histórias de corrupção, assassinato, caixa dois também, ainda sem o devido julgamento. Nós, da esquerda, pressionamos por Justiça, porém o STF tem se mostrado seletivo e afinado com a grande mídia: contra o PT, tudo; já contra o PSDB, well...

O Novojornal, veículo dos mais combativos das Geraes, é dos únicos a publicar os escândalos do PSDB mineiro. Como a Lista de Furnas, sobre a qual pouco se vê ou se lê, como se jamais houvesse sequer existido. Falcatruas na Copasa, no Mineirão, nas “Pirâmides” de Aécio, no nióbio (quem não se lembra do Enéas perguntando ao Lula sobre o nióbio, nos debates em 1989?),... Como se percebe, denúncias graves e robustas é o que não falta! Vontade de divulgá-las, apurar devidamente e punir, aí já são outros quinhentos!

É estarrecedor o que está descrito em reportagem sobre o Aecioduto, escândalo ainda por estourar que, segundo o jornal, envolve empresas que “operam a luz do dia um esquema que movimenta, segundo especialistas, mais de R$65 milhões por mês.” Os valores astronômicos mereceriam uma investigação profunda da Polícia Federal e do Ministério Público. Apesar do Gurgel. Ou então o mesmo jornal deveria ser condenado a pagar milhões em indenização e sair do ar por divulgar mentiras deste quilate contra Aécio. Não teria cabimento! Como se diz muito por estas bandas de cá, “aí tem”!

Vejamos a reportagem de hoje, dando conta de episódio recente. Abre aspas:

“A correria da equipe de Aécio Neves no início desta semana, em Belo Horizonte, para sacar dinheiro vivo parapagar diversos veículos da mídia nacional acabou causando a paralisação das atividades da tesouraria doBanco Rural e BMG. Funcionários das instituições relatam que Andréa Neves comandou pessoalmente a operação que zerou a disponibilidade de moeda dos dois bancos.
O esquema que opera desde 1987 em Minas Gerais, dando cobertura a diversas operações irregulares, fatocomprovado com a condenação dos dois presidentes das instituições bancárias, pelo visto conta com acooperação do Banco Central. Inclusive o atual presidente do Banco Rural, João Heraldo, condenado em diversos processos, é oriundo da instituição.
Mostrando que Minas Gerais é um Estado independente dentro da Federação, funcionários do Banco Rural e BMG informam que quantia não inferior a R$50 milhões teria sido sacada em um só dia sem que qualquer autoridade monetária interviesse. Informam ainda que recursos solicitados a custódia do Banco Central entraram apenas contabilmente na tesouraria, teriam seguido direto para o aeroporto da Pampulha.
Este é o final do incidente ocorrido em função da viagem de Aécio e de sua Irmã Andrea para o exterior, causando atraso no repasse de recursos para a mídia nacional que culminou com a publicação, em 2 de fevereiro, de uma crítica do jornalista Reinaldo Azevedo, na revista “Veja”, ao senador Aécio Neves”.

Destacou-se em negrito o que, pela dimensão, custa-se a crer que se leu corretamente. Enquanto o PIG cria crise atrás de crise, é muito estranho que publicações assim passem despercebidas. Não se vê um comentário, uma repercussão na Câmara Federal, no Senado, mesmo na “blogosfera progressista” relativamente poucas e combativas vozes.

Não seria simples verificar a veracidade via COAF, via registros de voos na Pampulha, o Banco Central não saberia de saques neste montante? Tudo muito estranho mesmo.

Quanto mais pensamos nisto somos obrigados a concordar: “aí tem”!

Por Rodrigo Penna